letuce
não é nada de novo. nunca se é nada de novo quando já se tem mais de 7300 dias, pesados vinte anos nos ombros.
mas às vezes é. como se no meio de tanto dia a dia ainda houvesse coisas pra se sorrir.
veja bem, queridinho, uma vez eu tive um namorado com olhinhos como os seus. e mesmo que eu tenha dito que nunca tive um namorado, ele não era imaginário e me fazia chorar na chuva, como um conto triste.
faz muito tempo, queridinho, mas uma vez eu vi olhinhos como os seus me olhando de lado no colchão. e senti falta.
veja bem, queridinho, eu não sei se você entende como essas coisas acontecem. amor não tem nome, é só um surtinho cotidiano, uma loucurinha passageira. nada demais. depois de 7300 dias de amor.
é claro que pode ser só um beijo, é claro que pode ser nem um (nenhum) beijo. mas de noite eu pensei em você. e me veio saudadezinha de uns olhinhos deitados.
talvez você queira conhecer meu colchão.
1 comentários:
bom ver textos novos seus.
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