abriu uma cerveja quarta à noite, que era mulher independente. da janela espiava a televisão dos vizinhos. pensou no pai na europa, na mãe em goiânia. às vezes as cidades grandes massacram a gente com o deserto das multidões. como milhões antes e depois dela, se sentiu pequena vendo as estrelas.
a internet oferecia histórias, amores e trilhas sonoras. não quis saber.
da sua cabeça saiam todos os detalhes da vida que corria atrás das outras janelas. o cara do apartamento ao lado com certeza não via sua família há muito tempo, ou perdera a namorada por falta de coragem, dela. sabia disso porque ele não gostava do barulho de risadas, ou do barulho de música, ou do barulho de conversas, mas não se importava com os carros frenéticos durante toda à noite.
quis sair. calçar um salto, vestir a jaqueta de couro, pregar um cigarro na boca. quis sair sozinha e ver o que encontrava. beber alguma coisa quente com gelo.
esperava a hora certa. pegou as chaves à meia-noite. trancou a porta.
e foi dormir.
2 comentários:
perfeito
Gostei ....
o teor da escrita cada palavra premeditadamente em seu lugar, mas sem força que isso aconteça ...
isso não é texto isso é Arte Laurinha ...
bjo
Rafinha
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