
e ela disse assim que talvez ele não entendesse e era até um pouco esquisito mas:
-eu te amo bem agora.
e isso queria dizer talvez que no lago as luzes de Brasília eram estrelas e fogos e naquela casa que não era deles todos os pés dançavam.
olhou nos olhos e quis mesmo quase-chorar de medo do depois. porque, por mais que olhasse e buscasse e cavasse e nunca nunquinha conseguiria lembrar da sensação exata do olhar. e mesmo que rasgasse mordesse queimasse com o tempo tempo tempo a pele seria nova e as cicatrizes seriam como as da infância que não sei bem como. e a bagunça do cabelo e a mancha no ombro e a forma das mãos, abraçou forte- e nuca mais da força dos músculos e do calor calor calor do corpo quente. ai garoto, você vai desaparecer. mas ainda assim, eu te amo bem agora.
e isso queria dizer talvez que no meio dos meses a vida ia matando a gente de tanto cinza. e quando há algumas horas de talvez anos atrás o sol se pôs (como todos os diazinhos, mas ainda assim) logo ali no deck, e aquela garota loira dançou até quebrar os pés e mesmo depois, e todos ficaram bem abismados e talvez a música tenha até parado ou aumentado ou.
Ai garoto, a vida vai matando a gente, mas quando o sol se põe no lago a beleza arromba os olhos.
1 comentários:
simplismente lindo
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